1.8.05

23.7.05

Carnalmente

Beijo-te. Sorvo-te.
Beijo-te e não te deixo respirar.
Sorvo-te e sinto-te fraquejar.

E provo-te e saboreio-te e sinto-te e consumo-te e trinco-te e arranho-te e mordo-te e rasgo-te e rompo-te.
E sorvo-te e beijo-te e não te deixo respirar e sinto-te fraquejar e abraço-te e não te largo.

E amo-te. Carnalmente.

12.7.05

Porquê?

Por que será?

Porquê?
Porquê?

Não sei.

Não sei por que

Tranco o coração
Com o trinco da razão.

27.6.05

Olha para ti

Olha para ti. Não tens vergonha? Devias ter vergonha. Olha para ti a rastejar. A comer o pó do chão. A comer o pó do chão e a ser pisado por tudo. A comer o pó do chão, a ser pisado por tudo e a levar pontapés de todos. A comer o pó do chão, a ser pisado por tudo, a levar pontapés de todos e a ser calcado e espezinhado, sem nada dizer.

A aceitar ser desprezado.

Levanta-te. Ergue-te do chão. Enfrenta o mundo. Devias ter vergonha. Não tens vergonha? Isso. Esconde a cara. Tapa os olhos. Sim, chora. Grita por ajuda. Não. Não te ajudo. Não te dou a mão. Tu não mereces.

Tenho pena de ti. Porque tu não és homem. Tu não és nada.