17.3.06

ela encontra-me no caminho
ela abraça-me
ela embala-me quando quero dormir
ela embala-me e consigo dormir
ela dança comigo uma dança cadenciada
ela é o pão meu de cada dia
ela sou eu, és tu, é ele
somos nós, sois vós, são eles
ela é a minha pedra filosofal
o elixir da longa vida, a panaceia universal

14.3.06

Estou cansado. Estou gasto. Estou farto.
Para mim o mundo já não é novidade.

Não.

Não lhe chamem pessimismo. Não é pessimismo.

É desilusão.

7.3.06

Pára

Tenho pena, mas é assim que sou.
Pára.
Pára de me puxar pelo braço. Pára de me fazer rasteiras. Pára de me gritar aos ouvidos. Pára de me fazer perguntas.
Pára.
Não sei responder e por isso encolho os ombros. Não tenho a resposta a todas as perguntas do mundo. E não as quero ter.
Pára.
Não sei quem sou, mas não quero ser quem tu queres que eu seja. Deixa-me seguir em paz. O caminho não leva a lado nenhum, mas eu quero seguir em paz.

2.2.06

Quando era pequeno
julgava poder ir à lua.

Quando era pequeno
pensava que o mundo de antigamente era a preto-e-branco.

Quando era pequeno
queria casar-me com uma sereia.

Quando era pequeno
achava que podia comer todo o chocolate do mundo.

Quando era pequeno.

Agora já não sou pequeno
Perdi a capacidade de sonhar?